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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Betinho, um dos expoentes da luta contra a fome do Brasil.

Hebert José de Souza, nasceu em Minas Gerais, em 1935. Betinho herdou da mãe a hemofilia e, desde a infância, sofreu com outros problemas, como a tuberculose. Foi criado em ambientes inusitados: a penitenciária e a funerária, onde o pai trabalhava. Nesses lugares, teve os primeiros contatos com a pobreza da sociedade. Sua formação teve grande influência dos padres dominicanos, com os quais conheceu o drama dos necessitados que morriam de fome pelo país, na década de 1950.
Betinho | Reprodução
Em 1962, graduou-se em Sociologia na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante o governo de João Goulart, assessorou o MEC, chefiou a Assessoria do Ministro Paulo de Tarso Santos e defendeu as Reformas de base, sobretudo a reforma agrária, já que ele via na concentração de terras a causa da grande fome que assolava o território nacional.
Em 1964, mobilizou-se contra o regime Militar, sem nunca esquecer as causas sociais. Betinho não se conformava que em um país do tamanho do Brasil e com a riqueza que jorrava da terra, pessoas ainda morressem de fome. Com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile, em 1971. Lá assessorou Salvador Allende, até sua deposição e morte em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente, morou no Canadá e no México. Durante esse período, foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia e a cidadania – dois conceitos que julgava inexistentes no Brasil.

De volta ao país, Betinho continuou sua militância contra a concentração de terras e contra a fome. Para mobilizar mais pessoas e amplificar a popularidade da causa, o sociólogo idealizou e fundou a organização não governamental "Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida", que encabeçou, entre outros projetos, o famoso "Natal sem Fome", o qual visava coletar doações de alimentos para garantir a segurança alimentar dos brasileiros mais pobres, principalmente da região nordeste. Além da campanha contra a fome, Betinho e seus colaboradores passaram a pressionar os governos pós Ditadura a encabeçarem políticas sociais, visando garantir a seguridade de condições mínimas de vida que, em tese, diminuiriam a mortalidade infantil, a inanição e a terrível fome que sempre assolou o Brasil. Conhecido e amado pelos pobres, odiado por parte significativa da elite brasileira, Herbert de Souza sempre se posicionou a favor dos mais necessitados.

Em 1986, descobriu ter contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido a hemofilia. Em sua vida pública esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus. Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, principal instituição de fomento a pesquisas as quais buscavam tratamento e cura para a doença. Dois dos seus irmãos, Henfil e Chico Mário, morreram, em 1988, em consequência de complicações decorrentes da mesma doença. Mesmo assim, não deixou de ser ativo até o final de sua vida, dizendo que a sua condição de soropositivo o forçava a "comemorar a vida todas as manhãs".

Cientistas Políticos e especialistas confirmam que Betinho é o membro da sociedade civil mais importante da história do Brasil quando se pensa em luta contra a fome e a pobreza. 
Sua passagem pela vida rendeu muitos feitos e homenagens. Em seu velório, um banquete de frutas, legumes e verduras foi realizado, e pessoas pobres foram convidadas a comer e celebrar a vida com a "barriga cheia", termo que constava na frase que Betinho costumava usar para definir o primeiro estágio da cidadania: "Sem a barriga cheia, não há cidadania".

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